sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

11:05

.Lavando os Olhos.

Chorei.
Enfim coloquei para fora tudo.
Desabafei.
Desabei.
Fui tempestade outra vez.

Não sei por quanto tempo esperei isso acontecer, era tanta coisa presa, tanta coisa querendo sair. Eu simplesmente travei, não conseguia derramar uma gota de lágrima. Estava seca, e sabia que isso não era bom. 
Nunca fui boa em expressar meus sentimentos verdadeiramente, nunca me entreguei por completo. Mas era tanta coisa, coisa pequena, problemas, falta de ar, sabe?... Correria. Era quase previsível que eu iria pirar e ficar de mal humor, já estava sentindo o caos se "achegando", porém deixei que viesse e me tomasse por inteiro.

Deixei que viesse até mim.
Deixei o caos nominar.
Deixei estar.
Deixei emanar.
Fluir.


Fui chuva de verão, a lágrima fria no rosto quente. O alivio foi imediato, foi libertador. O peso dos ombros sumiu, enfim respirei. A leveza imediata se torna poesia, música e brisa, trás certeza e uma certa coragem pra enfrentar, que é de arrepiar. São perdas, erros, medos, todos eles saindo pela janela, todos eles me deixando.
Não há mal que supere algumas horinhas de choro. Se eu precisava disso? Claro, faz bem desmoronar, deixa a casa mais limpa para novas emoções.

Agonizei de dor.
Pus as  magoas para fora.
Amenizei.
Abandonei a casa da dor.
Chorei.



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

15:33

Mais uma vez o carnaval passou.

Que passe, passarinho.
Que comece, logo esse ano.
Que chegue, o natal de novo.


Não vi o carnaval passar.
Não vi a velha colombina dançar.
Nem o pierrot chorar por seu amor.
Não vi, simplesmente dormi.


Fechei a porta, não quis essa folia para mim.
Tranquei a festa toda pra fora.


Fui viver meu paraíso.
Fui adormecer.
Fui me desfazer.
Fui ser feliz a minha maneira.


Não vivi o carnaval por uma questão.
Precisava de solidão.
Precisava de mansidão.
Precisava só de mim.
Não é que seja egoismo meu.
É que eu precisava não precisar.


Que bom que o carnaval já passou.
Que bom que o ano já começou.
E a vida volta a sua dura realidade.