segunda-feira, 6 de agosto de 2012

16:35

Cigana

Fui feita de ilusão e pedaços de estrelas, nasci das cinzas que caíram dos raios de Sol, sou filha da terra, mulher sozinha e sem juízo. Por meus olhos vejo os desejos que se escondem em atitudes, aprendi o prazer de guarda-los para mim. Decido jogar ao fogo todas as minhas vontades, pecados e saudades, não necessito de muito, só quero o que é meu. Vivo na rua, minha vida é de esquina em esquina, tentando me encontrar. Não tenho dono, nem nunca terei, pois assim o quero, sou caça e caçador. 
O metal do meu sangue se mistura com o sal da minha pele, tudo me atraí, tudo me repele, é tão mais forte e denso quanto minhas próprias ganas de viver. Dizer o que sou, não é correto, estou ai para ser, estou para vida como estou para morte, aqui não há acaso, é tudo destino, é tudo solidão, paixão, chão, então não há solução.
Predestinada a errar, sonhadora por parte de pai, fugitiva por intuição. Aprendi desde cedo a dizer não, sonhei com a terra prometida e não fui lá. Amei o príncipe herdeiro e não desposei, o que é uma triste história que não vou contar, não faço o que esperam, faço o que tenho que fazer. Prefiro assim. Está tudo perdido e já não há mais prisão, somos reis e rainhas de nós. Nasci livre, plena de liberdade, cheia de vontade de mudar meu mundo, quero ir mais longe, ir mais fundo, nada me apetece. Sou assim uma rua sem nome, uma estrada sem fim. 

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