sábado, 27 de julho de 2013

01:31

Uma pequena crônica sobre o Vazio.

Há algum tempo venho sentindo esse vazio. Não, ele não me toma o tempo, não me tira o sono, não me tira a fome, pelo contrario, vou muito bem obrigada! Mas quero falar por uma questão de exorcismo, tirar esse Exu que insiste em me acompanhar, acabar com a ressaca moral, e ponto. Quero falar daquele vazio que não te esvazia, mas sim te preenche, aquele vazio que te faz seguir em frente, tudo bem, nem eu sei ao certo como denomina-lo, só imaginem algo parecido. Aquele vazio que lá no fundo você sabe o que é, e tem fugido o máximo que pode...

Eu parei pra pensar nisso após ver um filme clássico de comédia romântica, "também pudera" você ai pensou, porém já venho refletindo há muito esse tema, não por falta do que refletir, mas por necessidade, nós precisamos mudar de fase nesse jogo chamado vida. Pois bem, me peguei fugindo de encarar essa realidade e me vi sendo desafiada a ser honesta comigo, isso é muito pessoal - o que não é? - aprecio ser sincera da mesma forma que quero que sejam comigo, então lá estava eu inquieta  perdendo o sono e escrevendo essas linhas estranhas cheias de alguma verdade, descobri que esse vazio me enchia, completava, me colocava no eixo certo, cheia de duvidas, no entanto ciente das mudanças que eu tinha de tomar. Fugir. Sim, é isso, fugir, fingir que nada aconteceu, não com o vazio, mas com o que causou o vazio, uma atitude complicada, por instinto fazemos isso, nesse caso, o meu, é um mal preciso. "Nada é fácil, nada é certo." como Renato Russo disse - música que me embala ao tentar escrever. Não é pra ser um tormento, é pra trazer a paz, o alivio imediato, o novo pra sempre de alguma forma, nem que seja a força e isso não é a verdade soberana, é só um lado da moeda, por isso não é fácil e pelo mesmo motivo não parece certo. 
Havia lágrimas em meu coração, falta de visibilidade, havia uma vontade imensa de mergulhar nesse vazio e aqui estou eu, sendo honesta comigo e com você que teima em me ler. De fato aprendemos a olhar tudo em partes, poucas vezes paramos pra admirar a obra completa, e eu precisava olhar o antes, o agora e pensar no depois e pra isso algumas farpas tirar, algumas lágrimas rolar e começar de novo.

A gente se enche de coisa pra fugir desse vazio, mas ele nos completa, e acho que com o passar dos dias isso vira um habito, já não mais uma mentira, mas um fato, não dói e e nem te incomoda, as vezes coça, e é nessas horas que penso naquela frase da música do Engenheiros: "Não se sinta capaz de enganar, quem não engana a sim mesmo." E percebo que não me engano mesmo, no fim é isso, eu sei muito bem e não me importa, fujo mesmo, me declaro a maior covarde da história, medo? Acho que nem se trata mais de medo, é saco cheio, é raiva, é não saber amar... Acho que no mais tudo um dia se vai ou muda de lugar, mas tudo deixa um vazio.