segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

00:52

A despedida.


Começando a última semana dessa vida velha:
As vezes queria desaparecer.
As vezes não.










A solidão me dói os nervos.
O silêncio me cala.
A saudade se manifesta.



Se as lágrimas falassem, quantas coisas elas diriam.
Sempre fui um pouco solidão.
É que a multidão me atraí.
Mas na verdade sou só.
Poeira de estrela vagando na terra.

Há medos que não se deve temer. 
E há horas que só as lágrias falam.

Morri liquida.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

17:17

Haver

Há dores que meus olhos gritam
Há medos que digo e não digo
Há abraços que não dei
Há solidões no meu armário
Há silêncios pra calar
Há cálices pra tomar
Há um Deus
Há deuses

Adeus. 

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

08:41

Drama

Criei mil de mim.
Me tornei personagem deste drama.
Nasci humana
Me fiz atriz.
Vivo de luz e fama
Crises são apenas cenas
E fazem parte de mim.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

13:11

Flor da Liberdade

O corpo morre e alma
se transforma em história.
A história de um povo de um lugar, que não se deve abalar apenas resistir e lutar.
Marighella vive em nós, 
na poesia do dia a dia, 
na memória dos esquecidos 
e na denúncia dos libertados.
Dos sonhos do seu povo
aos desejos de liberdade.
Vivem nas flores
Nascem com o sol
Se movem com o vento
Sobrevivem na esperança de liberdade.
Marighella vive em nós!

sábado, 18 de outubro de 2014

01:43

Mão de obra barata.

Eu nunca te pedi poesia.
Eu nunca te pedi canção.
Só pedi
Amor
Doação
Eu nunca te pedi artes.
Eu nunca te pedi invenção.
Te pedi
Cumplicidade
Paixão
Eu nunca te pedi teatro.
Eu nunca te pedi conversão.
Apenas pedi
Sonho
Imensidão 
Eu nunca te pedi dança.
Eu nunca te pedi sensação.
Pedi um pouco de
Ritmo
Baião 
Eu nunca pedi corpo.
Eu nunca pedi pulsação.
Baixinho pedi
Mão
Coração
Eu nunca pedi romance.
Eu nunca pedi curtição.
Eu sempre pedi
Você
Eu
Nossa construção.


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

07:47

Páginas ao vento.

Em minha máxima 
sinceridade amei
sonhei,
busquei,
ser o melhor que pude.
Quis,
ambicionei ser sua,
desejei teus beijos.
Lutei,
e conquistei você.
Todavia,
não posso prendê-lo,
não posso atá-lo 
a mim.
Este é o fim,
e sim
dói para mim,
e sinceramente
te amei sim,
mais que a mim.


00:54

Desfecho.

Eu não quero mais ouvir falar em você.
Não quero mais escutar tua voz.
Ela me destrói.
Não quero mais te ver.
Não quero que tenham visto você.
Isso me corrói.
Quero tua distância mais distante de mim.
Você me desmorona.
Me põe a baixo.
E eu ainda espero que me reconstrua na manhã seguinte.
Não quero sentir teu cheiro.
Muito menos saber dele em outros corpos.
Isso me sufoca.
Não quero teu sabor.
Teu calor e suor.
Quero tua ausência mais ausente de mim.




sexta-feira, 8 de agosto de 2014

17:12

Meu sentimento em gotas

Aperto no coração, boca seca e olhos encharcados    
Um turbilhão de sensações, variações de sentir
Querencia, carência e demência.

Tudo escore pela boca
Inunda minh'alma
encharca o colchão.

Entre risos e soluços sinto, re-sinto e pinto
Há falta tua pela casa toda
Escrevo tua boca, há minha.

Vinda de fora para dentro
Externizo o eterno
Findo com a dor em gotas de amor.

sábado, 2 de agosto de 2014

17:10

Poesia de um caderno velho.


É o sufoco da alma que nos faz poetas.

E escrevo por amor.
Perdidamente invocando o que há.
Absurdamente sonhando.
Aprisionada no querer.
Sufocada por saber.
A sinceridade me toma por completo, ai me calo.
Não há vocação sem vontade.
Não há medo, sem renuncia.
E eu renuncio.
A vida é feita de renúncias feitas por amor.
Tomo o lápis a mão,
E me ponho a escrever.
Renunciando aos desejos da alma.
Me entregando ao amor.

Que a poesia nos afete e a sensibilidade nos preencha.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

22:56

Cicatrizes da terra.

Lavrada
Arada
Sangrada
Sofrida.

Vê essas marcas?
É do regaço que fizeram de mim.
Acolhedor e fecundo.
São marcas profundas do amor.
É a inchada pesada.
A lavoura doída.

Profunda
Fecunda 
Sonhada
Florida.

Vê essas raízes?
É a coleita que fizeram de mim.
Colorido e saboroso.
São raízes do meu povo
É o semeio da vida.
A plantação querida.

É preciso lavrar pra brotar,
regar pra crescer e colher pra comer.


quarta-feira, 4 de junho de 2014

01:51

Desfibrila-dor

Meu coração é antigo
Caduco
Perdido.

Desfibrila-amor.

Meu coração é velho
Senil
Ostil.

Desfibrila-calma.

Meu coração é vário. 
Acelerado
Febril.

Desfibrila-alma.

Meu coração é desesperado
Cansado
Doente.

Desfibrila-dor.

Meu coração é saudade
Angústia
Silêncio.

Já não há mais pulsação.


[Hora da morte: A que você se foi].


segunda-feira, 2 de junho de 2014

21:45

Fundo.

Sonho chegar ao fim
Acabar com o tempo que só nos faz sobrar.
Chegar ao fim sem dor.
No fundo de um poço de água azul cristalina.
Chegar e beber sua saliva saborosa
E gozar de ti o melhor em si.
Ao fim a alma se inunda
Porque no fundo todo mundo é mundo
E tem um pouco da gente na nossa devoção. 


terça-feira, 27 de maio de 2014

22:41

Alma Vadia.

Tudo dói.
Sangra a alma e o corpo dói.


Fui fugitiva de mim.
Assassinei minha alma,
E com medo fugi.
Fugi e arrastei o corpo 
Por toda avenida.

Era carnaval.
E o corpo ficou jogado na avenida.
A alma flutuava sobre o corpo.
Ou era o mormaço?
Não sei, só sei que tudo dói.

Reza a lenda que voltei.
Pior que antes e melhor do que nunca.



00:16

O espinho.

Tem um espinho no meio da flor.
Um espinho que fere a flor.
Flor que sangra leite de rosas.
Leite que perfuma o jardim.

Tem um espinho no meio do riso dela.
Espinho que maltrata o riso dela.
Riso que é triste e belo.
Beleza que encanta o coração.

Tem um espinho no coração do moço.
Espinho que judia do moço.
Moço que ama o riso dela.
Ela que não sabe amar.

Tem um espinho no meio do mundo.
Espinho que cega os corações do mundo.
Mundo que está perdido.
Perdido de amor pela flor.

E o espinho não ama ninguém.


segunda-feira, 26 de maio de 2014

03:10

Infortúnios

Eu rezei pra morrer.

Pera ai! Quem reza pra morrer?
Tanta gente rezando pra curar o câncer, pra viver mais um bocadinho, e eu rezando pra morrer. Que porra de vida escrota!

E forcei a levantar da cama e tomar uns goles da cachaça que guardo na gaveta de calcinhas. Não fui, até porque beber sozinha de madrugada é um porre, e vai que Deus resolve atender minha prece e morro engasgada com a cachaça. Puta sacanagem!

 Tentei dormir novamente, mas já é um saco dormir com insônia, quem dirá deprimida. A ideia de morrer me seduzia de novo, agora a ideia da cachaça não me parecia tão ruim. No entanto, puta falta de sorte se Deus se fez de surdo!

Decidi escrever, pelo amor de Deus, se eu amanhecer morta, não achem que me suicidei muito menos que isto seria uma carta de despedida, pois não há nada mais escroto que rezar pra morrer e ainda se despedir.

Resolvi que voltaria as minhas preces e pediria apenas para que eu dormisse ou então que mestruasse de uma vez. Porque, puta que desgraça, TPM, insônia e depressão. Porra, que infortúnio!

domingo, 18 de maio de 2014

03:02

Oração à Insonia



Roga-me ó mãe dos desavisados.
Rega-me o peito ó mãe celeste.

Rogai por nós ó Deus da multidão.
Regozija de plena mansidão.
Reveste me de insanidade.
Rega-me de poesia e o palavrão.
Roga junto de mim pela solidão.
Revigora o meu não.
Reafirma o nosso sim.
Reparte o pão.
Realimenta meu peito de pura emoção.
Retorna-me ao chão.
Retoma a caneta em minha mão.
Reescreve a paixão.
Refloresce minha canção.

Roga pelos que desavisados cairam em tentação.

Perdão.


quarta-feira, 30 de abril de 2014

01:48

Doença

Eu tenho uma doença
Essa doença é escrever.
Enquanto não escrevo
Eu não tenho paz.

Não durmo.
Não como.
Não tenho sossego
Enquanto não escrevo.

Não há cura
E nem remédio
Não há solução
Senão escrever.

Então escrevo
No verso 
E no caderno inteiro
No começo e no FIM.



quinta-feira, 24 de abril de 2014

12:14

Companheiro

Prelúdio:
Era vazio.
Então veio a chuva.
E dessa flor nasceu o amor.


Juntos construímos nosso amor, nossa luta.
Nossa Jerusalém que virá.
O novo testamento do amor.
Os 10 mandamentos da partilha.
A Gênesis do perdão.

Contigo sonhei en la Luna.
E fui sua pela primeira vez.
E em meu corpo hoje mora,
Todos os sonhos del Sol 
Soy tu girasol.

Quando longe, admiro a lua.
Faço minhas preces por ti.
Te espero como a manhã espera pelo sol.
Aguardo teus raios me iluminarem.
Assim me aqueço e te amo mais a cada nascer do dia.

Minha vida. Meu amor. Meu norte.
Me dá a mão.
Vamos descobrir o mundo juntos.
Vamos fazer nossos caminhos.
Vamos sonhar o impossível.
Viver nossas aventura.
AMAR.


[para meu amado]

terça-feira, 8 de abril de 2014

17:13

Sobre Você

Eu quero escrever uma nova gramática pra você
Um dicionário é pouco
Preciso que saibam como falar
Como te dizer
Como te escrever.

Suas doces palavras me iluminam
E mesmo as mais brutas
Me alimentam de você

Seu silêncio me assusta
É como folha em braco
Me desespero sem saber.

Me calo pra não me exceder
Crio mil novas palavras
Mas não as digo pra você.

Um dia vou escrever
Todas as palavras
Que não ousei dizer.

Quero inventar novas formar de amar você.
Amar assim é pouco
Preciso que saiba como sinto
Como te sinto
Como te vejo.

Todos os meus sentidos se confundem 
Quando você está por perto
Mas fico perdida sem você.

Seu cheiro é meu delírio
Busco em cada canto
Anseio por teu prazer.

Seu toque quente e suave
Meu arrebatam
Me encontro em seus braços.

Teu olhar com pintinhas
Me encantam
Me apaixono outra vez.

Quero escrever todas as cartas, canções e poesias
Pois dizer que te amo é muito pouco
Preciso que saiba o quanto de verdade
Como amo
E porque amo.

Mas isso eu ainda não sei dizer
Mas um dia vou escrever
Porque eu amocê.

terça-feira, 25 de março de 2014

17:35

Dicas de uma caminhante perdida no passado.

Eu inventei de ser feliz e no fim do dia agradeci pelo caminho percorrido. 

Decidi não viver de pequenas coisas e isso inclui não se estressar por tudo, não morrer a cada novo problema, afinal vou ter que morrer uma hora, e isso pode ser daqui a pouco, melhor não antecipar a dor. 
Aprendi que mesmo chorando por dentro o sorriso é a melhor resposta, e que nunca, NUNCA vão te entender de verdade, as pessoas tem noção do que sentimos, mas não sentem como nós, aliás poucas delas se colocam no nosso lugar, então não se esforce tanto para se colocar no delas. A vida não é um jogo de grandes e pequenas escolhas, é certo que haverão as importantes, mas nem tudo vale tanto que uma noite bem dormida. 
Seja mais flexível com você, se sabe que vai se estressar com determinado assunto ou atitude, que não terá paciência, se assegure que não falará mais do que o necessário, mas se for preciso crie uma cena, ninguém melhor que você sabe qual a melhor atitude a ser tomada, não se martirize por isso. Descobri neste caminho que não quero me culpar, isso não é justo comigo, então faça o que fizer, faça porque é o melhor pra você, mesmo que demorem a se acostumar entenda que você também tem de se acostumar com a escolha dos outros, vivemos em um mundo onde cada uma escolhe como viver, e nós estamos neste mundo também não é? 
Enfim, se precisarmos mudar que seja para nossa melhoria, mas que este processo seja respeitado e no nosso tempo, se for pra chorar que façamos para aliviar o peso da jornada, não para desistir, e se precisar voltar, que seja pra ser mais feliz que antes. 

Ah e se não funcionar com você, crie suas próprias dicas, até porque sou só uma caminhante perdida, de um tempo que não volta mais.

sexta-feira, 14 de março de 2014

16:05

Poesia nua e crua.

Poesia,
Que me ilumina
Que me inspira
Que me reflete.

Poesia,
Que me salva
Que me liberta
Que me desperta

Poesia que me toma
A forma
O gesto
A expressão.

Me cobre com teu fel.
Me reveste de mel.
Sonda e caminha.
Me ensina o caminho da vida.
Me faz amar.

Rega-me natural,
Cresce-me solta,
Revolta de sol, estrelas e luas mil.
Inunda-me.
Lança-me sobre teu corpo hostil.

Poesia, oh doce amada!
Orgásmica paixão.
Sonho dos sonhos mais loucos.
Arrebata-me!

Poesia,
Que me alimenta
Que me sustenta
Que me contempla.

Poesia,
Que me violenta
Que me mata
Que me dá vida.

quinta-feira, 13 de março de 2014

00:39

A gente vai perdendo.

Aprendi desde cedo a perder.
Perdi brincos
Sapatos
Meias
E roupas.
Perdi alguns amores e amigos.

Um vez perdi o ônibus.
Outra a virgindade.
E certa vez perdi a hora.
Perdi a vontade.

Perdi os dentes quando criança.
Também perdi dinheiro.
Os matérias de escola.
Um livro que muito amava.

Um dia perdi um show muito bom.
Perdi meu jeans favorito.
O anel da sorte.
E a blusa que nem era minha.

Perdi o medo
A coragem
O jeito
E documentos. 
Perdi tantas coisas que nem me lembro.

Em todas as vezes que perdi
Chorei
Mas não tem jeito.
Desde cedo a gente aprende 
Que vai perdendo 
As coisas
E as pessoas.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

19:29

Ninguém

Não faço questão do tempo perdido.
Não faço questão alguma.

Ninguém vai sonhar por mim.
Ninguém vai sonhar meu sonho.

Eu nunca fui o sonho de ninguém.
Eu nunca sonhei por ninguém.

Não faço questão da dor.
Não faço questão por favor.

Ninguém vai amar por mim.
Ninguém vai amar meu amor.

Eu nunca fui o amor de ninguém.
Eu nunca amei por ninguém.

Não faço questão da pergunta.
Não faço questão da labuta.

Ninguém vai trabalhar por mim.
Ninguém vai trabalhar meu trabalho.

Eu nunca fui o trabalho de ninguém.
Eu nunca trabalhei por ninguém.

Ao final quem sou eu?

A voz rouca no fundo do bar me diz:

- NINGUÉM! 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

16:33

As coisas

Não sei lidar com meus sentimentos, eles sempre ficam meio soltos. Meio perdidos, parados, como se ainda faltasse algo a dizer. As vezes nos expressamos da melhor maneira que conseguimos, as vezes não. Não é que eu queira me explicar ou e queixar é sou uma alerta, não sei lidar. Não é fácil ser tão sincera, não é justo, mesmo porque sou a pessoas que mais sofre com isso, a sinceridade é primeiro comigo depois com os outros. Não dou conta, quando vejo as palavras já saem ligeiras sem que eu dê conta, é óbvio que tenho controle, mas não é sempre. Muito disso é culpa dos meus sentimentos, me incomodo fácil e não sei me acomodar com o que incomoda, até a dor mais pungente me tira do lugar, não sei sofrer calada. Não sei lidar com tanto drama e exagero da minha parte, maldito sentimentalismo, maldita sensibilidade, hora me pergunto, por que gargas d'água Deus me fez assim, tão artista de mim? E escrevo procurando respostas como uma forma de organizar esses sentimos, mesmo não sendo como Carlos Drummond, Frida Kahlo, John Lennnon, Sebastião Salgado e outras grandes inspirações, busco na arte uma forma de expandir meus sentimentos.

Existem poesias que eu queria ter escrito, músicas que eu queria ter composto, desenhos que eu queria ter desenhado e fotos que eu queria ter tirado, mas não fiz nada disso. Me resta apenas inspiração. Não que isso me impeça de tentar reproduzir algo, mas venhamos e convenhamos, quem sou eu? Mas isso não vem ao caso, o importante é o tentar. Enquanto um bate outros apanham, é exatamente como me sinto, apanho e bato e isso me dá força e inspiração pra continuar escrevendo. Somos desertos, secos esperando por água da chuva, para nos banhar em nosso ser, e eu procuro ser essa água, ou possivelmente alguns pingos de chuva, inspirando a mim e a quem possa se interessar, não escrevo nada mais do que sei e vi da vida, não ouso mentir nem pra mim, quem dirá a quem por ousadia me lê. Minha Gênesis, meu momento de criação, meus sentimentos todos soltos tentando se acertar entre palavras, desenhos, fotos.

Me rasgo em toda dor e floresço rubra em bela flor. Minha salvação, meu nascer e morrer e nascer de novo. Me sinto parte do todo, do tudo e do nada, floresço a duras pedras, e onde menos se imagina, o que me germina são os sentimentos e a confusão. Não sei lidar, mas belas poesias posso criar, são apenas coisas que me movem a cantar, não posso negar sou em mim, em mil, em mim como conchas no mar. Não posso parar.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

14:01

Última vez

Essa é a última vez que vou escrever.
É a última vez que teimo em deixar me por aqui.
Não quero mais escrever sobre coisa alguma, muito menos de mim.
Esse é o fim, acederei um o ultimo cigarro e beberei minha última garrafa de cachaça.
Me entorpecerei de mim.
Me deitarei ao relento sentido pena dos pobres coitados.
Mas não escreverei mais sobre eles também.
Este é o fim, o último renunciar-se.
O último gole de angustia.

Deixo aos meus pais saudades que nunca matei.
A minhas irmãs, as cartas malditas que tanto escrevi.
Sobrinhos os carinhos que nunca dei.
Aos amigos a ajuda que sempre faltou.
Ao amor solidão.
As festas bobagens.
E os meus livros, por favor, queimem todos.
Eles nunca salvaram a vida de ninguém, muito menos a minha.

Não escrevo pra dizer adeus.
Não quero me despedir de ninguém.
Parto sem dores ou pesares.
Escrevo para morrer da única coisa que me fez viver.

Parto escrevendo que parti.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

20:41

Cartas - Não mais que palavras ao vento.

Não são as horas que não passam, é o tempo que demora pra essa dor passar, não é a falta de paciência, é a saudade que me força a escrever. E escrevo. Escrevo pra sobreviver a angústia da espera, ao medo do incerto, ao que sinto e não dissera.
Perdão aborrecer, mas gosto  de escrever cartas ridículas, acho que foi Fernando Pessoa que disse: "Todas as cartas de amor são ridículas." As minhas não seriam diferentes. Por falar nelas, sinto por nunca tê-las recebido, nem declaradamente, nem anonimamente, não que eu me lembre. No entanto sempre escrevi as minhas, mesmo as que não entreguei, sempre me correspondi comigo, então já posso dizer que recebi cartas ridículas, - as minhas. 
Não mais que palavras ao vento, conto e canto monha dor, saudade e espera nestas cartas, cheias de sentimentos esdrúxulos e mal pensados, por isso peço perdão, nunca soube escrever, nem nunca saberei, sonho louco o meu de escrever quizá um livro. Não nasci para por no papel sentimento algum, o faço por bobice, motivo qualquer de salvação. Porém minha saudade é real e absurda, quando não dói faz água e quando o dia é bom transformo em vinho, mas a saudade é sempre igual, não diminui só aumenta. 
Porque não são horas, são dias e porque te espero sem mais revelia.

Permaneço a tua espera.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

20:31

Eu tô chovendo.

Ouviu o trovão?
E esse vento forte, sentiu?
É tempestade
É aluvião.
Tá chovendo em mim.
Tô chovendo sim.
Lotei um rio.
Enchi uma cidade.
Chovi.
Chorei.
Reguei.
E vou florir.


sábado, 18 de janeiro de 2014

03:09

O tempo e a saudade




E as vezes um mês passa como se fosse um dia
E a gente não sabe nem se dura um ano
E em um segundo a gente percebe 
Que é questão de uma hora pro coração parar de bater
E leva uma vida inteira pra se acostumar
Que o tempo pode passar, mas a saudade não há de acabar.