quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

19:29

Ninguém

Não faço questão do tempo perdido.
Não faço questão alguma.

Ninguém vai sonhar por mim.
Ninguém vai sonhar meu sonho.

Eu nunca fui o sonho de ninguém.
Eu nunca sonhei por ninguém.

Não faço questão da dor.
Não faço questão por favor.

Ninguém vai amar por mim.
Ninguém vai amar meu amor.

Eu nunca fui o amor de ninguém.
Eu nunca amei por ninguém.

Não faço questão da pergunta.
Não faço questão da labuta.

Ninguém vai trabalhar por mim.
Ninguém vai trabalhar meu trabalho.

Eu nunca fui o trabalho de ninguém.
Eu nunca trabalhei por ninguém.

Ao final quem sou eu?

A voz rouca no fundo do bar me diz:

- NINGUÉM! 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

16:33

As coisas

Não sei lidar com meus sentimentos, eles sempre ficam meio soltos. Meio perdidos, parados, como se ainda faltasse algo a dizer. As vezes nos expressamos da melhor maneira que conseguimos, as vezes não. Não é que eu queira me explicar ou e queixar é sou uma alerta, não sei lidar. Não é fácil ser tão sincera, não é justo, mesmo porque sou a pessoas que mais sofre com isso, a sinceridade é primeiro comigo depois com os outros. Não dou conta, quando vejo as palavras já saem ligeiras sem que eu dê conta, é óbvio que tenho controle, mas não é sempre. Muito disso é culpa dos meus sentimentos, me incomodo fácil e não sei me acomodar com o que incomoda, até a dor mais pungente me tira do lugar, não sei sofrer calada. Não sei lidar com tanto drama e exagero da minha parte, maldito sentimentalismo, maldita sensibilidade, hora me pergunto, por que gargas d'água Deus me fez assim, tão artista de mim? E escrevo procurando respostas como uma forma de organizar esses sentimos, mesmo não sendo como Carlos Drummond, Frida Kahlo, John Lennnon, Sebastião Salgado e outras grandes inspirações, busco na arte uma forma de expandir meus sentimentos.

Existem poesias que eu queria ter escrito, músicas que eu queria ter composto, desenhos que eu queria ter desenhado e fotos que eu queria ter tirado, mas não fiz nada disso. Me resta apenas inspiração. Não que isso me impeça de tentar reproduzir algo, mas venhamos e convenhamos, quem sou eu? Mas isso não vem ao caso, o importante é o tentar. Enquanto um bate outros apanham, é exatamente como me sinto, apanho e bato e isso me dá força e inspiração pra continuar escrevendo. Somos desertos, secos esperando por água da chuva, para nos banhar em nosso ser, e eu procuro ser essa água, ou possivelmente alguns pingos de chuva, inspirando a mim e a quem possa se interessar, não escrevo nada mais do que sei e vi da vida, não ouso mentir nem pra mim, quem dirá a quem por ousadia me lê. Minha Gênesis, meu momento de criação, meus sentimentos todos soltos tentando se acertar entre palavras, desenhos, fotos.

Me rasgo em toda dor e floresço rubra em bela flor. Minha salvação, meu nascer e morrer e nascer de novo. Me sinto parte do todo, do tudo e do nada, floresço a duras pedras, e onde menos se imagina, o que me germina são os sentimentos e a confusão. Não sei lidar, mas belas poesias posso criar, são apenas coisas que me movem a cantar, não posso negar sou em mim, em mil, em mim como conchas no mar. Não posso parar.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

14:01

Última vez

Essa é a última vez que vou escrever.
É a última vez que teimo em deixar me por aqui.
Não quero mais escrever sobre coisa alguma, muito menos de mim.
Esse é o fim, acederei um o ultimo cigarro e beberei minha última garrafa de cachaça.
Me entorpecerei de mim.
Me deitarei ao relento sentido pena dos pobres coitados.
Mas não escreverei mais sobre eles também.
Este é o fim, o último renunciar-se.
O último gole de angustia.

Deixo aos meus pais saudades que nunca matei.
A minhas irmãs, as cartas malditas que tanto escrevi.
Sobrinhos os carinhos que nunca dei.
Aos amigos a ajuda que sempre faltou.
Ao amor solidão.
As festas bobagens.
E os meus livros, por favor, queimem todos.
Eles nunca salvaram a vida de ninguém, muito menos a minha.

Não escrevo pra dizer adeus.
Não quero me despedir de ninguém.
Parto sem dores ou pesares.
Escrevo para morrer da única coisa que me fez viver.

Parto escrevendo que parti.