quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

16:33

As coisas

Não sei lidar com meus sentimentos, eles sempre ficam meio soltos. Meio perdidos, parados, como se ainda faltasse algo a dizer. As vezes nos expressamos da melhor maneira que conseguimos, as vezes não. Não é que eu queira me explicar ou e queixar é sou uma alerta, não sei lidar. Não é fácil ser tão sincera, não é justo, mesmo porque sou a pessoas que mais sofre com isso, a sinceridade é primeiro comigo depois com os outros. Não dou conta, quando vejo as palavras já saem ligeiras sem que eu dê conta, é óbvio que tenho controle, mas não é sempre. Muito disso é culpa dos meus sentimentos, me incomodo fácil e não sei me acomodar com o que incomoda, até a dor mais pungente me tira do lugar, não sei sofrer calada. Não sei lidar com tanto drama e exagero da minha parte, maldito sentimentalismo, maldita sensibilidade, hora me pergunto, por que gargas d'água Deus me fez assim, tão artista de mim? E escrevo procurando respostas como uma forma de organizar esses sentimos, mesmo não sendo como Carlos Drummond, Frida Kahlo, John Lennnon, Sebastião Salgado e outras grandes inspirações, busco na arte uma forma de expandir meus sentimentos.

Existem poesias que eu queria ter escrito, músicas que eu queria ter composto, desenhos que eu queria ter desenhado e fotos que eu queria ter tirado, mas não fiz nada disso. Me resta apenas inspiração. Não que isso me impeça de tentar reproduzir algo, mas venhamos e convenhamos, quem sou eu? Mas isso não vem ao caso, o importante é o tentar. Enquanto um bate outros apanham, é exatamente como me sinto, apanho e bato e isso me dá força e inspiração pra continuar escrevendo. Somos desertos, secos esperando por água da chuva, para nos banhar em nosso ser, e eu procuro ser essa água, ou possivelmente alguns pingos de chuva, inspirando a mim e a quem possa se interessar, não escrevo nada mais do que sei e vi da vida, não ouso mentir nem pra mim, quem dirá a quem por ousadia me lê. Minha Gênesis, meu momento de criação, meus sentimentos todos soltos tentando se acertar entre palavras, desenhos, fotos.

Me rasgo em toda dor e floresço rubra em bela flor. Minha salvação, meu nascer e morrer e nascer de novo. Me sinto parte do todo, do tudo e do nada, floresço a duras pedras, e onde menos se imagina, o que me germina são os sentimentos e a confusão. Não sei lidar, mas belas poesias posso criar, são apenas coisas que me movem a cantar, não posso negar sou em mim, em mil, em mim como conchas no mar. Não posso parar.

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