terça-feira, 27 de maio de 2014

22:41

Alma Vadia.

Tudo dói.
Sangra a alma e o corpo dói.


Fui fugitiva de mim.
Assassinei minha alma,
E com medo fugi.
Fugi e arrastei o corpo 
Por toda avenida.

Era carnaval.
E o corpo ficou jogado na avenida.
A alma flutuava sobre o corpo.
Ou era o mormaço?
Não sei, só sei que tudo dói.

Reza a lenda que voltei.
Pior que antes e melhor do que nunca.



00:16

O espinho.

Tem um espinho no meio da flor.
Um espinho que fere a flor.
Flor que sangra leite de rosas.
Leite que perfuma o jardim.

Tem um espinho no meio do riso dela.
Espinho que maltrata o riso dela.
Riso que é triste e belo.
Beleza que encanta o coração.

Tem um espinho no coração do moço.
Espinho que judia do moço.
Moço que ama o riso dela.
Ela que não sabe amar.

Tem um espinho no meio do mundo.
Espinho que cega os corações do mundo.
Mundo que está perdido.
Perdido de amor pela flor.

E o espinho não ama ninguém.


segunda-feira, 26 de maio de 2014

03:10

Infortúnios

Eu rezei pra morrer.

Pera ai! Quem reza pra morrer?
Tanta gente rezando pra curar o câncer, pra viver mais um bocadinho, e eu rezando pra morrer. Que porra de vida escrota!

E forcei a levantar da cama e tomar uns goles da cachaça que guardo na gaveta de calcinhas. Não fui, até porque beber sozinha de madrugada é um porre, e vai que Deus resolve atender minha prece e morro engasgada com a cachaça. Puta sacanagem!

 Tentei dormir novamente, mas já é um saco dormir com insônia, quem dirá deprimida. A ideia de morrer me seduzia de novo, agora a ideia da cachaça não me parecia tão ruim. No entanto, puta falta de sorte se Deus se fez de surdo!

Decidi escrever, pelo amor de Deus, se eu amanhecer morta, não achem que me suicidei muito menos que isto seria uma carta de despedida, pois não há nada mais escroto que rezar pra morrer e ainda se despedir.

Resolvi que voltaria as minhas preces e pediria apenas para que eu dormisse ou então que mestruasse de uma vez. Porque, puta que desgraça, TPM, insônia e depressão. Porra, que infortúnio!

domingo, 18 de maio de 2014

03:02

Oração à Insonia



Roga-me ó mãe dos desavisados.
Rega-me o peito ó mãe celeste.

Rogai por nós ó Deus da multidão.
Regozija de plena mansidão.
Reveste me de insanidade.
Rega-me de poesia e o palavrão.
Roga junto de mim pela solidão.
Revigora o meu não.
Reafirma o nosso sim.
Reparte o pão.
Realimenta meu peito de pura emoção.
Retorna-me ao chão.
Retoma a caneta em minha mão.
Reescreve a paixão.
Refloresce minha canção.

Roga pelos que desavisados cairam em tentação.

Perdão.