domingo, 8 de março de 2015

00:39

Delírios de uma feminista - Precisamos falar sobre feminismo!

Mais um dia Internacional da Mulher se aproxima, e já podemos ver propagandas de utensílios domésticos com suas “homenagens”, pessoas dando-nos flores nas ruas e uma despreocupação com o real motivo deste dia.

Gostaria de dizer para as companheiras de 1857 que as coisas são diferentes para as mulheres de 2015, mas ainda lutamos por melhores condições de vida e trabalho, contra violência sexual, violência obstétrica, femicídio e por nosso direito de escolha. Há anos temos mulheres na luta por seus direitos, mas tudo que ouvimos na TV no nosso “grande dia” são elogios sobre nossa beleza e como enfeitamos o mundo, nossa meiguice, o nosso lindo dom de ser mãe e todas as qualidades ditas femininas pela sociedade. De fato é bom receber elogios, mas há algo de errado quando só nos enxergam com esses adjetivos. Afinal o que nós somos?

E como a igreja nos vê? Apesar de Francisco nos falar da urgência em nos oferecer espaço, respeitando nossas especificas diversidades culturais e sociais, a Igreja é uma das maiores opressoras da mulher no mundo, por séculos a maior inimiga dos avanços na busca por nossos direitos. Mas Francisco vai além, nos diz o quão desejável é nossa participação na comunidade, assim como nas reflexões teológicas. Ele ainda acrescenta: “A Igreja é mulher. É ‘a’ Igreja, não ‘o’ Igreja”. Mas qual o papel da mulher nas Igrejas? E ainda ouso perguntar, a Igreja ainda nos vê como “pedra de tropeço”?

Por que precisamos falar de Feminismo?

A sociedade nos coloca muitos estereótipos, só o padrão de beleza idealizado por si só é um absurdo, só de pensar que há mulheres que são escravas desses padrões de “Mulher Perfeita” já devia ser ponto de partida para essa discussão. Então um dia nós lemos em um jornal ou revista, algo como: “Se ela usa roupa curta, então ela merece ser estuprada!” ou “Aquela mulher é para casar!”. E me pergunto em que mundo nós vivemos para ser tão errado ser mulher? Sinto como se ser mulher fosse apenas um enfeite, um assessório para embelezar o mundo. Não somos objetos, somos humanas, somos alguém, sentimos dor, somos imperfeitas, vamos ao banheiro como todos e choramos, sim choramos e nem sempre estamos irritadas por causa da TPM.

Essa semana li a seguinte frase: “Sou a favor da igualdade, não do feminismo!” e outra que dizia: “Eu preciso da igualdade de gênero!” frase que era para ser uma resposta contrária à frase: “Eu preciso do Feminismo”.

E isso me chamou muito a atenção, não pela contrariedade, afinal, não são opostas e sim a mesma coisa. O que me intrigou foi perceber que as pessoas tomam certos movimentos como opostos a outros movimentos. O feminismo não é contra o homem, e sim contra o machismo, que por sinal, não é privilégio apenas dos homens, mas também há muitas mulheres machistas, e a culpa não é delas, nem deles, apenas são reflexos de anos de uma cultura patriarcal. A luta do feminismo é contra o patriarcado, contra a opressão da mulher, o sexismo e a misoginia, por tanto ela prega igualdade entre homens e mulheres, por tanto, feminismo é pró igualdade e igualdade de gênero.

“Feminismo não é o contrário de machismo. Machismo é um sistema de dominação. Feminismo é uma luta por direitos iguais.” Clara Averbuck.

Ser contra o machismo também é coisa de homem, pois o machismo também oprime o homem. É fato que há também feministas radicais, mas o verdadeiro ideal prega a igualdade, uma luta de todxs. Assim compreendemos que existem vários feminismos no feminismo e não há problemas nisso. O que falta é um esclarecimento.

Mas por que é tão importante tudo isso? Eu sei que não é uma resposta simples, mas a receita teoricamente é fácil, só acabando com o machismo poderemos acabar com tantos outros preconceitos de nossa sociedade.

A opressão contra a mulher (o machismo) devia ser nossa maior causa, pois essa opressão pari tantos outros preconceitos, fazendo do racismo, pior para mulheres negras, fazendo da distinção de classes, pior para mulheres pobres, que sentem na pele a perseguição por ser quem são e por serem mulheres. Sei que há certa ousadia em dizer isso, mas é fato que ser mulher nunca foi fácil, imagine com tantos preconceitos.

Outros motivos, para se ser pró-feminismo. 5 mulheres sofrem violência física a cada 2 minutos no Brasil e 80% dessas violências vem de seus companheiros. 15 mulheres morrem de femicídio por dia. Todos os dias milhares de mulheres são assediadas nas ruas, escolas, clinicas de saúde e locais de trabalho. Há cerca 50 mil casos de estupros no Brasil por ano, apenas 35% das mulheres costumam denunciar o crime. Crimes que são naturalizados pela mídia, gerando um silêncio velado e calando tantas mulheres. A cada 2 dias uma brasileira (pobre) morre por aborto clandestinos. 1 milhão de abortos são feitos clandestinamente no Brasil e 250 mil internações por complicações pós aborto por ano. Na América Latina 95% dos abortos são inseguros. Nesta hora temos várias mulheres morrendo e sendo violentadas enquanto lemos isso, então me pergunto: Quem é pró-vidas? Quanto vale a vida de uma mulher?

Não basta só pensar em um lado do problema, precisa-se ver o todo. Eu poderia entrar em outros detalhes e em mais estatísticas, mas creio que só isso basta para compreendermos a necessidade do feminismo e de uma organização efetiva.

Podemos começar celebrando o dia 8 de março como dia de memória, por todas as mulheres que morreram e morrem todos os dias em busca de seus direitos. Dia de fazer memória, mas também ir a Luta conosco e por todas nós. 



Não queremos flores, queremos nossos direitos!

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