sábado, 16 de maio de 2015

23:57

Morte prematura - Crônica de um fantasma

Morri às 23:50 horas de um sábado. Sem tempo para um diagnostico completo. Vinte poucos anos, muitos livros e poucas aventuras. Parti sem despedidas, não como a vida se encarregou, mas como deveria ser. Morri com uma palavra entre os dentes. Peito cheio, barriga vazia. A cabeça cheia de sonhos, mas nenhum grande sonho completo. Morri pois tinha que morrer. Num papel apenas uma frase:

"Comprar mais bolacha."

Sem grandes cartas de amor, sem suspiro, sem chance. Caída entre a quina e o filho da puta preso na garganta. Sem direito a glórias ou aleluias. Morri porque tinha que ser assim. Muita poeira, pouca água. Parti sem terminar o último livro. Perdão Salinger. Espero que no céu tenha biblioteca. Morri da forma mais besta de se morrer. Por que a vida é mesmo desse jeito? Pensei eu enquanto caminhava para luz.

Que terrível seria morrer com uma calcinha velha. Acabei de lembrar que ela está furada. Morri sem aviso. Que grande piada. Será que vão reparar que nem banho tomei essa noite? Não me depilei. No céu tem farmácia? Mancada de Deus. Melhor seria ter saído. Em casa ninguém vai me encontrar. Que bela hora pra se lembrar de estar acompanhada. Agora já foi.

Morri, infelizmente morri. Sem grande partida. Sem choro. Sem vela. Morri, em pleno mês de maio, em meio a livros, sapatos e meias. Não houve tempo para nada. Sem diagnóstico. Nem tempo para apagar o fogo da panela. Eita, que o feijão vai queimar. Droga! Morri, e já não adianta lamentar.

Um tempo depois...

Que mente conturbada. Morri, e daí, chorei, sofri e vive como todos e mesmo assim não tive a maldita oportunidade de avisar ninguém que parti. Morri, e daí, quem vai chorar? Não sei. Parti em um sábado qualquer, de um mês infeliz, que não serve pra nada, nem pra rimar com nariz. Que merda de vida. Não devia ter gastado meu tempo com romances baratos e textos bizarros. Devia ter escrito logo um livro em vez de alimentar um blog falido. Puts! E o blog, quem vai cuidar? Idiota pensar nisso agora que morri. Tomara que alguém venha se despedir. 

Enfim, morri. E agora o que fazer? Acho melhor eu tentar escrever, vai que alguém da por minha falta?! Melhor avisar.
Que grande clichê. Morri de amor e nem sei porquê.




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