quarta-feira, 17 de agosto de 2016

16:30

Seja sua Deusa

Desejo.
Desejar-se a si
mesma no espelho.
Tocar-se.
Saciar-se primeiro.
Antes do outro,
o eu.
Antes do gozo,
seu gozo.
Desejar-se
primeiro.
Saborear-se, 
Para então, o outro,
saborear.


domingo, 17 de abril de 2016

10:40

VAI TER LUTA!

É pela democracia que gritamos 
Pela liberdade que enchemos as ruas 
Lotamos as urnas e ganhamos legitimamente 
É pela democracia que lutamos 
Não nos calamos 
Vamos caminhar!
É pela liberdade 
que em nossas bocas gritam 
Marighella, Olga, Zumbi, Dandara 
É por nossa coragem 
que o punho continua erguido, 
e assim resistirá!

É por amor que continuamos pela esquerda, 
na luta popular 
É por ousadia que seguimos com utopia 
o horizonte desenhado por Galeano 
É por sonhar com um novo céu, 
uma nova terra e um novo mar 
que hoje e sempre vamos lutar 
por democracia 
por liberdade
por poder sonhar.

NÃO VAI TER GOLPE NEM POR CIMA DE NOSSOS CADÁVERES 

Vamos lutar cada vez mais forte
Vamos amar, vamos sonhar
Vamos unir e construir.

Em nossas caras a cor da luta
Em nossos punhos bandeiras
Em nosso canto a voz do povo:
Não vai ter golpe, vai ter luta!


E A LUTA CONTINUA!


terça-feira, 8 de março de 2016

17:50

Continuamos na construção de nossa memória e na LUTA!

Novamente é 8 de março, mais um dia Internacional da Mulher e com ele mais um ano de lutas. E como é difícil escrever sobre esse dia sem se esquecer que se faz necessário reafirmar que esse dia não serve só para celebrar a mulher que é linda, que é mãe, que embeleza o mundo e dar flores, mas sim, fazer memória de tantas outras mulheres, a mulher que é humana, que é dona do teu corpo, que luta por seus direitos e quer ser livre. A mulher que luta.

Temos que fazer um resgate da origem do dia que celebramos hoje, pois a história que nos contaram está um tanto equivocada e merece uma melhor apresentação. Por conta disso, recomendo a leitura do livro: "As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres" de  Ana Isabel Álvarez González, que fala sobre os acontecimentos que levaram ao surgimento da data e como ela se consolidou através dos tempos.
Após a segunda Conferência de Mulheres Socialistas de 1910 realizada em Copenhague, foi aprovado a proposta de um dia de luta pela libertação das mulheres. Anos mais tarde, a Revolução Russa marcou, definitivamente, as comemorações do Dia Internacional da Mulher na data 8 de março, como nos conta Alexandra Kollontai: "Em 1917, no dia 8 de março (23 de fevereiro segundo o antigo calendário russo), no Dia das Mulheres Trabalhadoras, elas saíram corajosamente às rua de Petrogrado. O Dia das Mulheres Trabalhadoras de 1917 tornou-se memorável na história. Nesse dia as mulheres russas ergueram a tocha da revolução proletária e incendiaram todo mundo." Esse acontecimento em conjunto com as organizações de mulheres operárias por melhores condições de trabalho, salários equiparados a dos homens, uma crescente participação das mulheres nos partidos e sindicatos e a luta pelo direito ao voto (como podemos ver no filme As Sufragistas), fizeram anos mais tarde com que a data fosse comemorada internacionalmente, sendo celebrada até os dias de hoje. Mas e o tal incêndio na fabrica têxtil? O incêndio de fato existiu, um acontecimento trágico na história do movimento Operário dos Estados Unidos, mas do qual a história não se vincula à proposição o dia de luta das mulheres, tampouco, à definição da data de sua comemoração. 

Resgatar essa história é dar novas dimensões a história de nós mulheres, é fazer de nosso passado uma memória viva e claro continuar na luta. Luta que apesar de certo progresso, pelo menos na visibilidade de nossa causa e os temas que temos levado a espaços nunca antes imaginado por nós, como a redação do ENEM, há ainda uma crescente opressão a vida da mulher, ainda precisamos lutar por nosso direitos de escolha, pelo direito a nosso corpo e tantas outras coisas que mesmo com alguns direitos garantidos, ainda nos é tirado. Como a lei do Feminicídio ou a Lei Maria da Penha, que mesmo estando em vigor, ainda não são capazes de inibir ou diminuir os casos de violência domestica e assassinatos de mulheres Brasil a fora. E há uma forte onda de conservadorismo avançando pelo país, que quer nos calar, que nos empurra cada dia mais num abismo, nos tirando aquilo que já conquistamos, nos fazendo acreditar que a culpa é nossa, censurando nossos corpos e assediando-nos, estuprando-nos nas esquinas, becos e campus de universidades, roubando-nos a vida, nos impedindo de decidir o que é melhor pra nós, nos matando em clinicas clandestinas, porque o aborto pra eles é pecado e não saúde pública. Então tiram de nós a autonomia, mas que alegria, hoje é dia delas, vamos agrada-las hoje e depois de amanhã voltamos a oprimi-las.

Em um dia como hoje, onde temos que lidar com frases como: "Parabéns pelo seu dia, você embeleza nossos dias", frase que por sinal nos objetifica, é difícil descrever o tamanho de nossa necessidade em continuar lutando, porém nos resta esperança e muita resistência, pois sei que os dias que estão por vir, serão carregados de luta e não será em vão o sacrifício que fizermos a todas as irmãs.

Gratidão a todas as mulheres que fizeram deste dia uma data de luta, a todas aquelas que lutaram para que tivéssemos direitos hoje e a todas que como eu ainda querem mais e continuarão lutando. 



Feliz dia de luta das mulheres do mundo inteiro!

domingo, 7 de fevereiro de 2016

22:03

Casa

Casa não são os telhados
tampouco são as paredes.
Casa não tem janelas
também não tem arestas.
Casa não pertence a mim
tampouco a ninguém.
Casa não tem portas
também não tem lajotas.
Casa é teu colo
teu afeto
teu chamego
teu abraço
teu cheiro
teu dengo

Casa é você.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

12:57

Forasteira

Com os mesmo pés com que andei naquela terra árida
Pisei fundo e parti
Tirei a poeira batida e não olhei pra trás.

Caminhante
Andante
Errante

Segui para nunca mais voltar
Os pés que outrora gentis caminhavam por lá
Hoje de lá não lembrará mais
Deixei lá fome e má sorte 
E trouxe cá gana de viver.

A porta já não bate quando passo
E a flecha que antes era companheira
Agora é dor 
Já não mais paixão.

Com os mesmos medos que andei naquele chão
Segui viagem
De lá não trouxe nada
A não ser a raiva e a solidão.