terça-feira, 2 de maio de 2017

17:41

GRITOS

Licença
Agora eu vou falar
Esse espaço é meu por direito
Ninguém me ofereceu por educação.
Me dê licença, eu vou gritar
Meu silêncio consentido, 
Você nunca mais terá.
Sou mulher,
Tenho certeza, todos vão me julgar
O tamanho da minha saia - dizem
Faz muita gente achar
Que pode me estuprar.
Marginalizam meu corpo, o comercializam
Fazem pouco da minha fala,
Julgam até se sou pra casar.
Dói, preciso gritar. 
Sou jovem também
Como muitos, tenho medos, sonhos
E esperança a florescer.
Mas eles - os que estão no poder
Nos tiram direitos,
Selam destinos,
Matam futuros,
Nos aprisionam em gaiolas
Presídios cheios de sonhos mortos.
Querem nos diminuir,
nos punir, nos calar.
Urbanizam nossa regionalidade
Pintam de cinza nossa arte
Nos fazem esquecer de onde viemos
Tiram nossos espaços.
E muitos de nós, para SOBRE-VIVER
trilham o caminho das drogas.
Falta lazer, falta cultura e o emprego, cadê?
A mídia manipula,
Nos seleciona feito leite:
O tipo A e o tipo B
Tem vez, que nem para C a gente serve.
Dizem que  temos que andar na linha, saber se portar.
Se é Bi, Gay, Lésbica ou Trans, 
é melhor esconder, falam:
"Da sua vida intima, ninguém tem que saber!"
Nos aprisionam dentro de nós
E vão matando, dia após dia
Aniquilando nossas vontades e desejos, um por vez
Perdemos a vontade de viver:
Depressão, ansiedade, os nossos fantasmas pessoais, 
As cruzes que carregamos, pesam...
Mas hoje, aqui, reunidas e reunidos
Escolhemos gritar
Sonhar mais uma vez
Não nos calar jamais
Sem Temer,
Ousamos lutar,
Por NÓS e por AMOR! 


[Escrito para o Sarau do 32º ARPJ em Marília-SP. 21/04/2017].